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Odebrecht relata pagamentos via caixa 2 de R$ 2,5 milhões para campanha de Richa em 2014

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O ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Júnior, e o ex-diretor da Odebrecht Sul, Valter Arruda Lana, citaram o governador Beto Richa em depoimentos de delação premiada. Segundo os executivos, a empreiteira fez pagamentos via caixa 2 nas três últimas campanhas do tucano.

Foram R$ 100 mil em 2008, quando Richa se reelegeu prefeito de Curitiba, R$ 450 mil em 2010, na primeira disputa ao governo do Paraná, e R$ 2,5 milhões na reeleição estadual em 2014. Os pagamentos foram feitos, segundo os delatores, através do “setor de operações estruturadas”, o departamento responsável pelos pagamentos ilícitos da Odebrecht.

O codinome de Richa nas planilhas da empresa era “brigão”.

De acordo com Benedicto Júnior, na campanha de 2014, foram autorizados repasses de R$ 4 milhões, mas apenas R$ 2,5 milhões foram pagos efetivamente em três parcelas ao longo do mês de setembro. Ele contou que um diretor da Odebrecht foi procurado em Curitiba pelo tesoureiro da campanha de Richa, que pediu a contribuição. Haveria uma contrapartida para a empresa, referente ao projeto de duplicação da PR-323. A Odebrecht integrou o consórcio da obra, que nunca saiu do papel.

As doações em 2008 e 2010 não tiveram contrapartida. O executivo afirmou que a Odebrecht apostava no crescimento político de Richa.

Os colaboradores afirmaram nunca ter tratado das doações eleitorais diretamente com Beto Richa – o assunto ficava a cargo dos tesoureiros das campanhas. Em 2008 e 2010 quem procurou Valter Lana foi Fernando Ghignone, atual presidente da Compagás. Ele disse ao Ministério Público que nunca se reuniu com o governador.

As informações de Benedicto Júnior e Valter Lana levaram a Procuradoria-Geral da República a pedir a abertura de um inquérito contra Beto Richa. O caso foi enviado ao Superior Tribunal de Justiça, que é a instância competente para investigar e julgar governadores. Cabe aos ministros do STJ decidirem pela abertura ou não do inquérito. Em nota divulgada nesta quarta-feira, Richa disse desconhecer o contexto em que teve o nome citado pelos executivos.

Ele afirmou que declarou à Justiça Eleitoral a origem de todos os recursos das campanhas. Em março, quando a PGR pediu a abertura do inquérito com base nas delações da Odebrecht, o governador já tinha se manifestado. Na época, ele disse estar “tranquilo” com uma possível investigação.

Os tesoureiros das campanhas de Richa também se manifestaram por meio de nota. Fernando Ghigone, responsável pelas finanças de 2008 e 2010, disse que as acusações são inverídicas e fantasiosas, pois todas as doações foram legais e depositadas na conta oficial do partido. Além disso, afirmou que as prestações de contas dos dois anos foram aprovadas sem ressalvas pela Justiça Eleitoral.

Juraci Barbosa Sobrinho, tesoureiro em 2014, afirmou que as acusações não passam de ilações e que a campanha não recebeu valores não contabilizados ou de origem ilícita. Ele disse ainda que a prestação de contas foi totalmente aprovada pela Justiça Eleitoral.

Fonte: Repórter Tabata Viapiana

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