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Geraldo Alckmin aceita presidir o PSDB

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aceitou nesta segunda-feira, comandar o PSDB. O novo presidente da legenda será oficialmente definido na convenção nacional do partido, marcada para o próximo dia 9, em Brasília. O senador Tasso Jereissati (CE) e o governador de Goiás, Marconi Perillo, desistiram da disputa e, com o gesto, abriram caminho para Alckmin assumir a legenda, buscar a unificação da sigla e fortalecer seu nome como eventual candidato à Presidência da República em 2018.

“Ambos (Tasso e Perillo) disseram que abririam mão se eu tivesse disposição de participar do processo de escolha. Eu agradeci a generosidade e o desprendimento. Se meu nome puder unir o partido, como vigoroso instrumento de mudança para o Brasil, é o nosso dever”, disse Alckmin após jantar no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, com Tasso, Perillo e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A articulação para evitar uma disputa interna entre a ala dos “cabeças pretas” – representada por Tasso e crítica ao presidente Michel Temer – e a dos “cabeças brancas” – de Perillo, que defende o peemedebista – foi coordenada por FHC.

A movimentação pró-Alckmin busca uma solução para o impasse que quase levou o PSDB à implosão após o presidente licenciado, Aécio Neves (MG), destituir Tasso do comando interino da legenda e substituí-lo pelo ex-governador Alberto Goldman.

Diante da insistência dos jornalistas sobre se sua declaração significava a aceitação do cargo, o governador respondeu: “Topo” “Se for esse o caminho para unir o partido, nosso nome está à disposição”, afirmou Alckmin. O governador foi questionado também sobre sua posição em relação ao desembarque do PSDB da gestão Temer. “Minha posição nunca mudou. Sempre achei que não devia ter entrado, mas a decisão majoritária na época foi outra”, afirmou.

Entre os tucanos uma aliança com o PMDB não está descartada, mas uma eventual defesa do governo na campanha é uma questão que ainda divide o partido. Apesar do posicionamento de Alckmin, o Palácio do Planalto, com o acordo que vai evitar um confronto pelo comando do PSDB, vê agora brecha para uma possível composição eleitoral no próximo ano.

Conforme mostrou o jornal O Estado de S. Paulo no sábado, Temer articula uma frente de centro-direita para defender sua gestão e tentar isolar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A aliança seria formada pelo PMDB e mais seis partidos, incluindo o PSDB – mas Alckmin, à frente do partido, terá de se reaproximar do partido de Temer.

Planalto vê chance de aliança com Alckmin

Na avaliação do Palácio do Planalto, Alckmin vai precisar do apoio do PMDB para tentar “levantar” sua candidatura à Presidência e não poderá exigir o desembarque imediato dos tucanos.

Em conversas reservadas, auxiliares do presidente Michel Temer diziam nesta segunda-feira, duvidar que o governador queira “queimar pontes” com o Planalto. Na semana passada, Alckmin participou do almoço de governadores com Temer, no Alvorada, e defendeu a reforma da Previdência, sob o argumento de que a mudança, de difícil aprovação, ajudará na criação de empregos.

Até agora, Alckmin vinha pregando a saída do PSDB da equipe de Temer. Além disso, lavou as mãos e não pediu votos para ele na bancada, quando o plenário da Câmara analisou – e acabou derrubando – as duas denúncias criminais apresentadas pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot.

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